Os jogos são divertidos porque foram cuidadosamente projetados por game designers. E sim, a vida é um jogo e, mais que isso, ela é O GRANDE JOGO. Nela temos objetivo, regras, desafios, punições, recompensas, personagens, recursos, itens (remédios, cosméticos etc), skins (roupas, calçados e outros adereços), conquistas, cenários, fases, level-ups, minigames, upgrades (quando melhoramos nossa qualidade de vida), moedas, compra e venda, controle sobre nosso personagem, descontrole sobre o personagem dos outros, easter eggs (boas surpresas), vitórias, derrotas…

O problema é que:

  1. É complicado, para qualquer game designer, projetar o jogo da vida de uma pessoa que não o dele mesmo, dada a complexidade e a quantidade de variáveis envolvidas, e a impossibilidade de jogar esse jogo para experimentá-lo e sentir como está ficando (o que agilizaria o processo).Essa impossibilidade é porque cada vida é diferente das outras e só pode ser experienciada por quem a vive, com seus próprios gostos, hábitos, traumas, habilidades, virtudes, defeitos, pontos de vista, recursos financeiros etc.O máximo que um bom game designer poderia fazer é reunir-se periodicamente com essa pessoa para perguntar e ouvir o que ela sentiu ao vivenciar as rotinas definidas na reunião anterior e fazer ajustes com base nesse feedback.
  2. Psicólogos, psicoterapeutas, coaches etc, que seriam os profissionais mais propícios a realizar esse processo, em geral, não sabem game design.

Sendo assim, esta é a primeira parte da resposta para a pergunta que dá título a este artigo:

Somos facilmente felizes jogando, porque os bons jogos foram cuidadosamente projetados, organizados e balanceados por bons game designers, restando-nos apenas a diversão de jogá-los. Em nossas vidas, contudo, já não é tão fácil assim, pois não é só jogar um jogo que já está projetado – assim era até o final da infância (ou adolescência), quando eram os nossos pais que regulavam quase tudo em nossas vidas. Ao chegarmos à maioridade (ou mesmo antes disso), nos deparamos com uma realidade mais complexa que a da infância e, na qual, não há um jogo definido, sendo nós mesmos os incumbidos de definir ou descobrir o jogo que devemos jogar. É quando nos sentimos um pouco (ou bastante) perdidos. Uma situação que ilustra bem esse momento é a de quando precisamos escolher qual faculdade cursar.

É a partir de então que saber game design e aplicá-lo à própria vida cairia super bem! Ainda mais porque não existe jogo treino na vida, nem botão de pausa. Ou seja, mesmo sem você saber direito o que está fazendo, a verdade é que esse jogo já está rolando (mesmo antes de você conhecê-lo) e cada movimento seu aumenta ou diminui suas chances de vencê-lo.

Mas se você é game designer ou tem esse conhecimento, saiba que, se bem projetada, sua vida se torna o jogo mais viciante e divertido que você já jogou, e, ao invés de querer escapar dela – usando drogas, jogando videogame ou valendo-se de outros artifícios que o desliguem da sua realidade -, você quererá ser cada vez mais consciente dela para não perder um lance sequer desse grande jogo.

Lembro-me de quando falei isso pela primeira vez para um game designer. Foi ano passado, para o talentoso Pedro Thiers, meses antes de eu lançar este blog. Ele ficou surpreso ao se dar conta do poder que tinha sobre a própria vida.

Com o advento e o crescimento do game design como campo de estudo e de atuação profissional no último 1/4 do século passado, pudemos dar o segundo passo no início deste século, experimentando-o na vida real para tratar, de forma pontual, alguns processos importantes, porém chatos e/ou difíceis.

Assim nasceu o que chamamos de GAMIFICAÇÃO, um meio termo entre o GAME DESIGN e o LIFE GAME DESIGN – como chamo o game design aplicado ao jogo da vida.

Se por um lado a GAMIFICAÇÃO não possui o mesmo nível de personalização e foco em diversão que o LIFE GAME DESIGN (explicarei melhor sobre essa diferença num próximo artigo), por outro torna economicamente mais viável o trabalho de game designers para melhorar a experiência da vida de outras pessoas, reprojetando, padronizando e “produtizando” partes dessa experiência que são comuns ou muito parecidas para muitas pessoas. Como por exemplo a aprendizagem de línguas estrangeiras (Ex: Duolingo), procura por namoro (Ex: Tinder), prática de exercícios físicos (Ex: Strava), educação à distância, treinamentos corporativos, jornadas de trabalho etc. Assim, torna-se possível vender esses projetos para muitas pessoas e a um preço mais acessível.

No entanto, queremos ir além e, sem desamparar a GAMIFICAÇÃO, dar o terceiro passo no processo de amadurecimento do GAME DESIGN quanto à sua utilidade. Queremos introduzir e popularizar o LIFE GAME DESIGN para que qualquer pessoa saiba reprojetar o jogo da sua vida e ser feliz! Mais até do que quando está jogando seu videogame preferido.

Só assim conseguiremos encontrar, ainda cedo, o nosso próprio jogo, e desfrutar desde a mocidade a sua melhor versão.

Se quiser saber como surgiu o conceito de LIFE GAME DESIGN, leia o nosso Manifesto. Para saber como eu o aplico em minha vida, leia o artigo: Por que escolher entre trabalho e diversão se você pode ter os dois?.

Para ser avisado da publicação da parte 2 deste artigo, siga nosso instagram @leandrocosta.blog. Lá você ainda recebe mais dicas sobre gamificação, LIFE GAME DESIGN e jogos educativos. 😉

Até!

Leandro Costa

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