Na sua estratégia para se tornar ou permanecer bem-sucedido no jogo da vida, quais recursos são importantes? Quais deles você busca acumular nas missões? Em palavras mais diretas: pelo quê você trabalha?

Para muitas pessoas, dinheiro é o único recurso pelo qual trabalham. Mas você há de convir que o dinheiro não é o que realmente buscamos, e sim meios de melhorar a nossa qualidade de vida. Sendo assim, o que queremos receber pelo nosso trabalho é, no fim das contas, mais qualidade de vida.

Dito isso, há muito mais coisas em jogo que apenas dinheiro na hora de decidir por uma oportunidade de trabalho. Por isso listei neste artigo 15 recursos extras à remuneração dos quais você deve considerar o ganho e o gasto em cada oportunidade profissional, pois, dependendo da sua situação, alguns ou mesmo muitos deles lhe serão mais úteis que um bom salário.

Acredito que, ao final desta leitura, você nunca mais vai olhar para uma oportunidade de trabalho do mesmo jeito. Está preparado(a)? Então vamos começar!

1- Sinergia com o meu propósito

O quanto esse trabalho está alinhado e/ou colaborando de alguma forma com o meu propósito de vida?

Já mencionamos anteriormente, a importância de encontrar um propósito de vida. Mas de nada vale encontrá-lo e não viver alinhado a ele, desperdiçando nossa força de trabalho e tempo valiosos em algo que só significa um salário no final do mês. Por mais que depois usemos grande parte desse salário em prol do nosso propósito, acaba que isso, quando muito, apenas iguala a zero, compensando o prejuízo de não termos trabalhado nele durante nossas 160 horas mais produtivas do mês.

Mas quando nosso trabalho está integrado ao nosso propósito de vida, essa sinergia faz explodir a nossa produtividade, porque não é mais só pelo salário, é pelo que mais importa nesta vida para a gente e sobre o que mais amamos e sabemos fazer. Com isso, tudo se harmoniza e abunda: salário, satisfação, realização, reconhecimento, qualidade de vida etc.

2- Paz de espírito

Esse trabalho é certo? Serei pressionado a fazer coisas que não acho corretas?

Entendo que na atual situação do país não seja fácil recusar oportunidades de ganhar dinheiro, principalmente se estamos com a corda no pescoço (com dívidas por exemplo). Mas é nessas horas que o nosso caráter é provado. É nessas horas também que alguns se desviam e começam a escalar a montanha da corrupção. Mas nada paga uma consciência tranquila e uma vida sem “rabo preso” com pessoas erradas.

Deitar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos não tem preço.

3- Saúde

Esse trabalho é arriscado? Ele pode prejudicar minha saúde? Quanto?

Apesar de entender que sacrifícios às vezes são necessários, será que é realmente positivo se aborrecer todos os dias, sofrer e se decepcionar repetidas vezes por uma quantia X no final do mês? Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população.

Então entenda bem as condições de um trabalho antes de aceitá-lo e, quanto ao trabalho atual, permita-se uma autoanálise para não ser o próximo a entrar para essa estatística. Além disso, verifique se o ambiente de trabalho possui infraestrutura adequada para não trazer riscos à saúde física também: cadeira ergonômica, banheiros e ar-condicionado funcionando e higienizados, água filtrada, instalações sem umidade etc.

4- Estamina

Quanta energia ainda tenho depois de um dia de trabalho?

É super natural se sentir cansado após um dia de trabalho, mas chegar em casa todos os dias esgotado e sem condições de fazer qualquer coisa a não ser tomar banho, jantar e dormir não é normal. Ainda mais se você larga cedo do trabalho (até às 19h). 

Nesse caso, pode ser que o trabalho seja em pé durante muito tempo, ou que exija andar a todo momento de uma mesa a outra. Também pode não ser culpa do trabalho, e sim da distância dele para a sua casa, principalmente se o transporte e/ou o trajeto que você utiliza para ir de um para o outro não ajudam (superlotação, viajar em pé e saculejando, sem ar-condicionado num calor de mais de 30 graus, engarrafamento etc). 

Lembro-me bem que passei 15 anos da minha vida estudando e/ou trabalhando há uma hora e meia da minha casa que, somando ida e volta, dava 3 horas de trânsito por dia quando o trânsito não engarrafava. Naqueles dias, compensava para mim. Mas é algo que precisa ser colocado na balança antes de aceitar um emprego.

5- Tempo

Quantas horas da minha vida esse trabalho vai me tomar por semana?

Você já deve ter ouvido falar que tempo é dinheiro. Mas, na verdade, tempo vale mais do que dinheiro. Primeiro porque, ao contrário do dinheiro – cuja a falta não nos imobiliza totalmente -, sem o tempo não podemos sequer fazer uma simples conta de cabeça, porque até isso toma tempo.

Segundo, por que ele é um recurso limitado e que está sempre diminuindo no mesmo andamento a despeito do que façamos ou deixemos de fazer – já o dinheiro, pode até aumentar. 

E terceiro, porque ele não se renova. Já o dinheiro, apesar de também ser limitado, alguém poderia perder o seu todo num dia e, nos meses seguintes, ganhar o dobro da quantia que foi perdida ou mais.

Por fim, mesmo quando o trabalho está alinhado com o seu propósito, viver não é só trabalhar, e quanto menos horas o seu trabalho exigir de você, mais tempo você terá para fazer coisas que também são importantes à sua qualidade de vida e à da sua família.

6- Influência

Quão importantes serão minhas opiniões?

Embora este recurso seja algo que geralmente precisa ser conquistado ao longo do tempo em que se está num trabalho, é bom atentar para a cultura da empresa antes de embarcar nela. 

Procure verificar como as chefias costumam proceder. Se elas ouvem a opinião dos subordinados antes de tomar certas decisões ou se, por autoritarismo ou falta de tempo (geralmente decorrente da falta de organização), as coisas são sempre ordenadas como que a robôs que devem seguir estritamente as ordens, executando-as do jeito que lhes foi passado.

Quando nossa opinião não importa, quando ela não faz diferença àqueles para quem trabalhamos, nos sentimos muito mal. Sentimo-nos desvalorizados e até usados. É como se fôssemos objetos sem identidade, meras peças de uma engrenagem, que só estão ali encaixados para fazer a máquina rodar e gerar dinheiro. Isso impacta muito na nossa qualidade de vida e autoestima. Então considere a potencial influência que você teria em determinada função antes de assumi-la.

7- Flexibilidade

Quão livre serei para escolher as horas e os locais de trabalho?

Trabalhei em uma empresa na qual tínhamos liberdade para escolher a hora de chegar, entre 7h e 11h, e de sair, entre 16h e 20h. Além disso, tínhamos um sistema de banco de horas que usávamos com bastante liberdade. Essas duas medidas já ajudavam muito a melhorar a qualidade de vida de todos nós.

Não é incomum termos hoje trabalhos ainda mais flexíveis. Evoluímos de uma maneira que o foco deixou de ser presença, pontualidade e horas de trabalho, para ser a entrega com qualidade e dentro do prazo combinado. 

Portanto, atualmente, já muitos funcionários, depois de certo tempo de empresa, estão trocando aumento de salário por mais flexibilidade (trabalhar de casa 2 dias na semana por exemplo). Quando o profissional é bom, geralmente é uma decisão que também beneficia o empregador, que tem seus custos diminuídos.

8- Mobilidade

Com que frequência poderei mudar as escolhas do tópico anterior?

Na oportunidade que tive e que citei no tópico anterior, eu não podia ficar alterando toda semana a hora que eu chegaria e sairia do trabalho. Isso porque meus colegas e chefe precisavam saber quando eu estaria lá, para então prepararem suas agendas para possíveis reuniões de suas equipes e conversas comigo.

Mas hoje, por exemplo, eu só peço duas coisas por semana aos meus colaboradores nesse quesito de lugar e hora: uma reunião de 15 minutos pelo Discord (software similar a Skype, Hangout etc) num horário fixo todo dia útil menos sexta – que podemos fazer de qualquer lugar -, e uma reunião presencial de duas horas por semana no mesmo local e hora toda sexta-feira, quando revisamos o sprint da semana e planejamos o da próxima.

Neste sistema, além da flexibilidade ser maior – eles podem trabalhar onde e quando quiserem ao longo da semana exceto durante as reuniões descritas -, a mobilidade deles é quase total também. Eles não precisam escolher previamente um horário de início e de término de expediente, nem um local. Desde que não prejudiquem nossas reuniões, eles podem mexer nessas variáveis todos os dias se quiserem e eu nem preciso saber.

Essa liberdade toda requer mais responsabilidade do profissional, mas se este a tem, isso é mais qualidade de vida pra ele e para mim, que não preciso ficar monitorando ninguém.

9- Autonomia

Quantas e quais decisões poderei tomar sem ter que consultar ou pedir permissão a um superior?

Este é o tipo de recurso que dificilmente estará à disposição de um estagiário, uma vez que o acompanhamento de um supervisor é mandatório nesse caso – muito embora isso não signifique necessariamente pouca autonomia. Além disso, quando estamos buscando um estágio, essa não deve ser uma preocupação. Mas se você já passou dessa fase, é interessante conhecer bem a estrutura hierárquica e cultura da empresa em que está cogitando trabalhar.

É horrível trabalhar em um lugar onde não temos muita liberdade de ação ou decisão, no qual sempre temos que prestar contas de tudo o que fazemos ou consultar um superior antes de realizar qualquer procedimento. Isso interrompe o nosso fluxo de trabalho, quebra nossa linha de raciocínio e atrapalha a nossa produtividade, porque, na grande maioria das vezes, não somos atendidos imediatamente.

Mas uma empresa organizada e bem liderada consegue delegar muita coisa aos seus colaboradores, liberando-os para resolver pequenos e até médios problemas (dependendo do cargo) que surjam nas adjacências do seu campo de atuação e que estejam influenciando negativamente no seu trabalho. É um risco calculado que, ao final, vale a pena pelo ganho em produtividade e satisfação dos colaboradores, que se sentem mais desafiados, aprendendo mais e se sentindo mais participantes dos resultados empresa.

A autonomia é um recurso muito parecido com o do item 6, influência. A diferença é que a influência está mais relacionada à voz, enquanto que a autonomia às ações.

10- Liberdade de expressão

Quanto de mim poderei ser no ambiente de trabalho?

Assim como as pessoas, as empresas e marcas também possuem personalidades diferentes. Cada uma delas possui um estilo de atuação e de apresentação no mercado. Umas são mais formais e outras mais despojadas por exemplo. E trabalhar numa empresa com personalidade muito diferente da sua não é legal. Veja o exemplo a seguir. Ele ilustra bem o porquê.

Se o trabalho que você visa prestar para uma empresa envolve lidar com os clientes ou potenciais clientes dela, é possível que você seja orientado a obedecer um código de vestimenta e de conduta ao qual outros funcionários na mesma posição também obedecem para que não haja o risco de transmitirem uma imagem que não corresponda à da marca que representam.

Se as formas de você se vestir e se comportar forem muito diferentes dos que a empresa pede, já pensou quão desconfortável será passar 8 horas do dia atuando como alguém que você não é? Por outro lado, se a empresa tem a sua cara ou é mais eclética e isso permite a você ser você mesmo no dia a dia, sua qualidade de vida aumenta bastante em relação à primeira situação.

11- Significância

Quanto o meu trabalho impacta o produto final, e quanto esse produto impacta positivamente o mundo?

Conseguir identificar nossa contribuição no produto final da empresa faz com que nos sintamos importantes no processo de trabalho, estimulando nossa autoestima e por consequência nos deixando mais felizes e realizados. Se, além disso, o produto ou serviço que ajudei a produzir / executar contribui para melhorar a vida das pessoas, a satisfação é ainda maior.

Dentro dessas características, quão maior for essa contribuição e seu reconhecimento por nós e pelos que nos cercam, mais gratificante será desempenhar tal trabalho.

12- Conhecimento

Quanto e quais conhecimentos vou adquirir com esse trabalho?

Conhecimento é um dos recursos mais apreciados desta lista. Talvez porque, depois de dinheiro e tempo, ele seja o que tenha o valor mais facilmente perceptível. Se as pessoas estão dispostas a gastarem seu dinheiro e seu tempo apenas para obterem novos conhecimentos em cursos, por que não aceitariam economizar dinheiro e tempo aprendendo essas competências durante o trabalho?

E digo mais: no trabalho, além da aprender na prática, o fazemos muito mais motivados (haja vista que não é só pela aprendizagem) e os resultados finais de cada projeto podem ainda ter mais valor se forem gerando um portfólio profissional ao longo do tempo. Pois este não seria qualquer portfólio, mas um já testado e aprovado pelo mercado.

Portanto, muitas vezes pode ser interessante aproveitar uma oportunidade que não pague tão bem ou que tenha outros percalços se essa oportunidade for lhe render novos conhecimentos, experiência no currículo e/ou portfólio profissional que depois lhe abririam portas maiores. Pense sempre com o foco maior no longo prazo, e seja um estrategista da própria carreira.

13- Networking

Quantas pessoas interessantes esse trabalho me proporcionará conhecer?

Dependendo do momento da sua vida profissional, este recurso pode ser o mais importante de todos, mais até que dinheiro e tempo. Porque são pessoas que promovem pessoas, e quanto mais capacitadas que você forem as pessoas com as quais você conviver diariamente, mais rapidamente você alcançará o próximo nível na sua carreira.

Outra forma de ver é o quanto essas pessoas são influentes. Porque uma coisa é, por exemplo, ter nosso trabalho reconhecido por um desconhecido. Outra coisa é o tê-lo reconhecido por uma referência da área em que atuamos. Muito provavelmente, o efeito no segundo caso seria a abertura de grandes oportunidades, enquanto que no primeiro caso, a chance de uma grande oportunidade seria improvável.

Mas os profissionais de alto nível e influentes não são as únicas pessoas interessantes para se fazer networking. Se a sua estratégia de carreira é abrir o seu próprio negócio, pode ser que você esteja precisando conhecer pessoas íntegras, com perfil empreendedor e habilidades complementares às suas para iniciar uma sociedade. Enfim networking é um dos grandes segredos do sucesso nos negócios e na vida como um todo.

14- Autoridade

O quanto fazer tal trabalho aumenta a confiança dos outros em mim?

Este recurso está relacionado à chancela. Há cargos em empresas que, pelo histórico de excelência destas somado às responsabilidades daqueles, são verdadeiros atestados de competência dos profissionais neles atuantes com respeito às funções que desempenham. E isso abre muitas portas.

Não só por isso, mas também por isso, é que sou coordenador pedagógico de pós-graduação em uma Instituição de Ensino de referência na área em que atuo.

15- Visibilidade

O quanto este trabalho servirá de vitrine para atrair outras oportunidades?

Você pode até ter grandes habilidades e ser um dos melhores no que você faz, mas às vezes é difícil ter a oportunidade de mostrar isso para mais pessoas além dos seus colegas de trabalho. Por isso, ter um trabalho que naturalmente dê publicidade ao seu talento deve ganhar um peso maior na sua análise, se a proposta for clara quanto a essa oportunidade deve-se ter bastante apreço.

Um exemplo que podemos dar para ilustrar uma situação em que esse recurso pesa bastante numa tomada de decisão vem do esporte: imagine que você é um jogador de futebol e tem chance de ser convocado para a copa do mundo que acontecerá dentro de 8 meses. Aí você recebe uma proposta do Barcelona e outra do Flamengo. No Flamengo você será titular absoluto. No Barcelona você seria reserva do Messi, mas ganharia o dobro do que receberia no Flamengo.

Se você já está com seus 28 anos de idade, a vida ganha, mas nunca jogou uma Copa do Mundo, você vai escolher jogar no Flamengo para poder mostrar ao técnico da seleção que merece estar no grupo que irá representar o Brasil na copa. No Real Madri, você não teria como mostrar a ele que está em boas condições físicas e técnicas para isso, pois estaria no banco quase todos os jogos.

Conclusão

Com essas 15 alternativas ou complementos ao dinheiro, você nunca mais se deixará levar pela primeira impressão de um salário alto. Também terá mais possibilidades de escolha na hora de projetar e balancear o jogo da sua vida, aumentando as chances de trabalhar com o que gosta e assim viver (ou jogar) mais divertidamente, com mais qualidade de vida.

Finalmente, acredito ainda que você não temerá mais as crises, pois com um pouco de criatividade para combinar e negociar dois ou mais desses 16 recursos (15 e dinheiro), dificilmente lhe faltará uma boa oportunidade de trabalho e de crescimento seja qual for a sua área de atuação e nível de instrução. E você poderá, baseado nas suas habilidades, recursos que já possui, interesses e momento, traçar uma ótima estratégia para passar pelas crises e sair delas melhor do que quando entrou.

Uma última dica: salve este artigo nos seus favoritos para consultá-lo sempre que for analisar uma oportunidade de trabalho. A seguir, deixo uma imagem que menciona todos os 15 recursos que explicamos. Você pode salvá-la no seu celular também para futuras consultas rápidas.

Atualizarei este artigo e esta imagem sempre que eu lembrar de algum outro recurso. Você consegue pensar em mais algum? Se sim, por favor, compartilhe conosco nos comentários e ajude-nos a deixar o artigo mais completo.

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Abraços e até a próxima!

Leandro Costa

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